sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Mudança de rumo
sábado, 14 de novembro de 2009
Simetria
Varado na noite, aproximadamente 24 horas sem dormir, tomando uísque "Elis Regina" desde as 9 da manhã, um grupo de moleques pede para que ele se acomode de fronte a câmera.
- Vira o seu rosto um pouquinho pro outro lado? O seu rosto estava para lá no take anterior.
Pra ele tanto faz, por isso mexeu como lhe foi pedido, mas acrescentou:
- É assim? Só não vai me deixar simétrico nisso aí.
Dance! Dance! Dance!
No cruzamento da Avenida Paulista com a Rua Augusta, quase toda noite, acredito, o velhinho aproveita o mar de carros da cidade, o trânsito parado e a pouca paciência dos paulistanos para tirar um sarro.
*** Claro, "tirar um sarro" sou eu quem está falando ***
Bem em cima de uma casinha de lixo de concreto, ele põe seu fone de ouvido, sua jaqueta jeans e uma bermuda, e passa a noite dançando consigo mesmo ao som de alguma música muito próxima ao reggae, em vista do modo como dança.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Incrédulo
A moça bonita, maquiada e vestida de cinza para o escritório passou em frente ao homem magro sentado no chão.
-Moça me dá cinquenta centavos pra comprar uma comida?
A moça continuou o passo e só balançou a cabeça, impaciente.
O homem magro, não acreditando na moça, levantou o dedo do meio.
Na madrugada, filmavam na rua, ninguém podia passar naquele momento.
Ramiro Seixas atendeu ao pedido e descançou sua carroça.
-Se for pra TV eu posso fazer uma aparição se vocês quiserem.
-Legal, mas aqui estão fazendo um curta. Não é TV não.
-Ahhm, é curta.
Ramiro observou atentamente, provavelmente não sabe o que é um "curta".
Na trazeira de sua carroça, a foto de Raul Seixas deixa clara a similaridade apenas na barba.
Conversa
Em meio à multidão que andava eficiente de volta do horário de almoço, os três conversavam alegremente.
Os dois negros, com camisas rasgadas e chinelos velhos falavam com o carroceiro alto e sem destes.
Deveria ser algo engraçado pois o carroceiro balançava a cabeça afirmativamente e ria tão alto que as paredes de prédios ressoavam aquela alegria imbecil.
